Robert Mckee dizia  que as histórias são a conversão criativa da própria vida em uma experiência mais poderosa, clara e significativa.

Grandes pessoas deixam grandes histórias.

Mas fico pensando: como as histórias são construídas dentro da nossa cabeça?  A resposta que consigo pensar agora é que seriam através de narrativas.

Sempre que queremos algo seguimos um terminado caminho.

 E neste caminho temos alegrias, tristezas, dissabores, até encontrarmos o que queríamos ou por fim não nos realizarmos.

Isto é uma narrativa.

Narrativa é uma maneira que usamos para organizar e dar sentido às experiências vividas. Tambem serve como estratégia para contarmos nossa história para outras pessoas, como o nosso ponto de vista.

Será que história sobre nós que contamos aos outros é triste ou alegre? Motivará as pessoas para fazer algo ou não? Ou mesmo, estará nos motivando?

Isto dependerá do sentido dado a experiência vivida.

Já prestou atenção nos pensamentos que surgem quando você tenta fazer  alguma coisa várias vezes  e não consegue?

 Uma vez tentei fazer algo e não conseguia. Um primo meu se dispôs a me ensinar, mas no auge do meu orgulho não quis aprender com ele.

Depois de muitas tentativas, na minha cabeça rodava uma narrativa mais ou menos assim:

Somente neste parágrafo eu disse várias coisas sobre mim. Falei sobre meu estado de humor, minha sensação de fracasso, arrependimento…

E também apresentei uma estrutura mental, um roteiro para contar a história, que pode ser dividido da seguinte forma:

  • Contexto ( estava tentando fazer sem conseguir);

  • Personagem (eu);

  • Um conflito (não saber fazer e negar ver meu primo para aprender - a perda da oportunidade);

  • E uma possível solução (visitar meu primo para ele me ensinar e).

Este simples roteiro narrativo pode ser notado em várias histórias que contamos para nós e para os outros.

É assim que descrevemos nossas vidas no dia a dia. Através de narrativas. 

E elas não são  apenas um relato de eventos, mas uma ferramenta poderosa que nos permite transferir conteúdos emocionais e informacionais que muita das vezes não damos conta que existe em nós – os terapeutas adoram utilizar nossas histórias para descobrir mais sobre a gente!

Se organizamos a vida como histórias, surge uma pergunta inevitável: como essas histórias são estruturadas?

 Se formos olhar os livros que ensinam storytelling, as bases  para uma boa narrativa normalmente seguem padrões pré-definidos, um arco histórico, não apenas uma sucessão cronológica de fatos, mas uma escalada dinâmica de eventos que são gerados por conflitos.

E dentro destes padrões aparecem alguns itens essenciais para a construção da narrativa que são:

  • Situação ou ambiente inicial;

  • Ponto de virada;

  • Protagonista conquista ou falha definitivamente;

  • Resolução (sequência de resolução);

  • Manifestação final das consequências;

  • Estabelecimento de novo equilíbrio.

Com este esboço podemos contar nossa história ao colocarmos as informações dentro de cada item de acordo com nossa percepção sobre elas.

Mas este modelo é muito geral e não para por aí.   Esta não é a única forma de narrar. 

Com o tempo…

No decorrer evolutiva das histórias, vários personagens foram criando estratégias para se as criar da melhor forma possível  como Aristóteles,  Freytag, Joseph Campbell, Robert Mckee e muitos outros.

 E hoje, como forma de validar o valor das narrativas em nossas vidas, seu uso está presente em diversos campos, sejam terapêuticos, contação de história e atualmente  em contextos corporativos no intuito de humanizar dados e informações mais brutas.

 Mas porque isto acontece atualmente?

Narrativas não moldam apenas sentido — elas moldam o próprio cérebro.

Ai que entra a ciência. E o que ela diz sobre narrativas é muito interessante.

Estudos afirmam que as histórias influenciam nossa mente. Com toda sua complexidade, o cérebro foi programado para processar o mundo por meio de narrativas.

Quando lemos, assistimos, ouvimos uma história dentro da nossa cabeça ocorre várias situações, como:

  • Conexão Neural: Quando ouvimos uma história, ocorre o acoplamento neural, onde os cérebros do narrador e do ouvinte se sincronizam;

  • Química Cerebral: Narrativas bem estruturadas liberam ocitocina (que gera confiança), cortisol (que foca a atenção) e dopamina (que ajuda na memorização);

  • Capacidade de memorização aumentada: As pessoas têm 22 vezes mais chances de lembrar de uma informação se ela for contada como uma história em vez de um fato isolado.

Então sabendo do poder das narrativas, podemos usá-las para escutarmos nossas vozes interiores e ver onde podemos melhorar em nossas vidas.

A pergunta que muda tudo: o que estou contando para mim?

A narrativa realmente é uma ferramenta integradora poderosa que nos apresenta as experiencias vividas de diversos prismas. 

Depois que comecei a me interessar por construções narrativas uma pergunta me veio: quais histórias estou contando para mim mesmo? São empoderadoras ou de fracassos?

Um bom exercício é construirmos uma linha do tempo, com datas se possível e ir demarcando nossas conquistas, assim quando tivermos situações de tristeza e desânimo será um bom lembrete de quanto somos capazes de lutar por nossos sonhos. 

Experimente e depois me fale!

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