Hoje pela manhã lembrei de meu avô Antonio. Ele viveu e morreu em uma cidadezinha do interior e adorava mexer em suas plantações, cuidar das galinhas e receber visitas.

Sempre que chegava alguém em sua casa, ele abria um sorriso todo feliz, convidava a entrar na casa e aquele ritual de costume no interior começava: mostrar a casa, as galinhas e depois sentar à mesa e tomar café (muito café, diga-se de passagem) e conversas interminávei sobre histórias de parentes antigos, de heróis, bandidos e animais gigantescos que de vez em quando destruia sua lavoura.
A cada história contada, ele parecia que incorporava algum espirito, levantava da cadeira, rodopiava deitava imitando alguém com espingarda, chorava, gritava, era um belo teatro.
Mas fora estes momentos, ele era uma pessoa tranquila, pacata e até muito tímido. Na época de férias a casa dele era o lugar preferido por nós, seus netos, para passear.

Nós nos reuníamos para ouvir suas histórias e era muito bom
Com o tempo a gente começou a notar que quando ele contava histórias, se soltava. Saia da timidez habitual e se tranformava. Aí começamos a aproveitar disto para conhecer ele melhor. Era somente perguntar qualquer coisa sobre seu passado, para que as transformações ocorressem:
- Vô, como era a casa do seus pais?
Aí ele sentava, olhava para as paredes parecendo estar desenhando uma imagem e começava a falar:
- Bem... A gente morava uns 50 quilômetros daqui. Mas la não tinha nada a gente andava isto tudo para comprar mantimento...
A porteira de ideias, sensações, experiências e casos, se abriam e a gente ficava ouvindo por horas.

Quantas pessoas carregam mundos inteiros dentro de si... e nunca compartilham?
Hoje ao lembrar, comecei a ligar alguns pontos. O poder da história. Nós seres humanos, mesmo diante de tanta tecnologia, estamos sempre voltando a certos princípios e costumes. E um deles é a história. Desde os desenhos pictográficos nas cavernas até os atuais meios de comunicação, todos com intuito de informar, de gerar opiniões, repassar ideias pelo mundo todo.

Nos tempos pré-históricos era uma forma de passar para outros alguma informação importante. Os grupos se reuniam em algum lugar, principalmente ao redor de fogueiras para contar histórias de antepassados, dos seus deuses, heróis, de colheitas, experiências e várias outras coisas.

Mas porque temos tanto apego as histórias?
O ato de contar histórias tem um poder imenso de transferir emoções e para isso usa de narrativas com personagens, lugares, imagens, importantes para quem lê ou ouve.
Outra causa do apego às histórias é a criação de conexão de coração para coração. A gente quando ouve histórias que nos tocam, parece que o tempo pára, os barulhos somem e somente a voz de quem fala e as imagens na cabeça da gente tomam lugar.
E a gente leva para a vida toda. Quem não lembra de alguma história que o país, avós ou amigos contaram? Quem de repente, deitado ou no banho ou ate mesmo divagando estas histórias chegam na mente da gente, emocionando e colocando em transe?
No final das contas, a vida não é feita apenas de acontecimentos.
Ela é feita das histórias que contamos, das que escutamos… e das que escolhemos transformar.
Mas como a maioria das coisas na vida, a criação de histórias e sua contação tem uma estrutura que torna possível para todos nós criarmos nossas próprias histórias e o melhor, modifica-las para que tenhamos mais poder de modificar e criar histórias mais fortalecedoras em nossas vidas.
E é sobre isto que conversaremos no próximo post - estrutura de histórias!
